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Depressão é das princiais causas de doença mental entre crianças e adolescentes, diz especialista

Atualizado: 14 de jan. de 2022




Depressão é uma doença que tem atingido cada vez mais pessoas mundo afora. Mas, ao contrário do que se possa imaginar, ela não é um mal exclusivo de adultos. A depressão tem afetado crianças e adolescentes e tem sido uma das principais causas de doença mental entre eles. Quem fala sobre o assunto é a psicóloga e psicopedagoga Patrícia Nayara Vieira Dantas. Com quase 20 anos de clínica, a profissional atende há 12 anos em Arapiraca. Na entrevista que você confere a seguir, Patrícia afirma que 90% dos adolescentes que recebe sofrem com o problema. Em muitos casos, os pais rejeitam o diagnóstico e desistem do tratamento. Ela alerta para a necessidade de pais e responsáveis ouvirem mais seus filhos e filhas no dia a dia familiar.


Blog – Depressão não é somente doença de adulto?


Patrícia Dantas – Não, não é, e precisamos desmistificar o assunto para podemos ajudar os pequenos e adolescentes com o problema. Por exemplo, na minha experiência de clínica aqui em Arapiraca, grande parte de crianças e adolescentes sofre com depressão ou ansiedade


Blog – O que leva crianças e adolescentes a sofrerem com depressão? Apesar de não doença somente de adultos, é mais fácil entender que isso aconteça com esse grupo de pessoas.


Patrícia Nayara – Entendo que o lugar de fala deles não tem sido respeitado. É preciso que os pais e responsáveis possam dar espaço para que, desde crianças, eles possam falar sobre o que os angustia, dúvidas, medos e tudo que é inerente à condição humana. Por isso, se não há essa abertura desse logo cedo, as crianças adoecem e viram adolescentes com problemas, muitas vezes a mais que os da própria idade já traz.


Blog – Quais as queixas que os pais levam até você quando chegam ao consultório com os filhos?


Patrícia Dantas – Em geral, reclamam de baixo rendimento escolar, isolamento social (e anterior à pandemia), comportamento agressivo, alteração significativa no apetite e, nesse caso, no meu consultório, raramente detecto situações de se alimentarem compulsivamente.


Blog – Qual a reação dos pais quando recebem o diagnóstico de que os filhos estão sofrendo com depressão e transtorno de ansiedade?


Patrícia Dantas – Infelizmente, não é comum que muitos pais não aceitarem o diagnóstico e retirarem os filhos da terapia.


Blog – Por que isso ocorre? É difícil admitir um problema como um filho com depressão?


Patrícia Dantas – Muitos chegam aqui já com uma espécie de diagnóstico pronto, feito por eles, de que os filhos têm déficit de atenção. Quando escutam que não é aquele o problema, às vezes é quase inevitável não surgir o sentimento de culpa, e aí eles entram no processo de negação.


Blog – Podemos dizer que muitos deles têm problemas emocionais pendentes e receber o diagnóstico de um filho com depressão acaba dificultando ainda mais a condição de enxergar o problema do filho?


Patrícia Dantas – Sim, uma vez que, como seres humanos, estamos na batalha diária do controle emocional. Alguns pais e responsáveis também já sofrem com a depressão e outras doenças da mente. Nesse contexto, receber o diagnóstico de um filho que tem depressão foge ao controle, e então passam a acreditar que a culpa é deles.

Blog – E a culpa é deles?


Patrícia Dantas – Não necessariamente. Mas quando acreditamos, por exemplo, que um adolescente já pode lidar com os próprios problemas sozinhos ou quando não se dá às crianças e aos próprios adolescentes o espaço para se expressar acaba-se contribuindo para o processo. O aprendizado de deixar e aprender a falar deve começar desde quando se é criança. As famílias precisam modificar essa postura.


Blog – Pandemia piorou a situação de crianças e adolescentes que já possuíam suas demandas próprias?


Patrícia Nayara – Entre as meninas, aumento casos de automutilação. Já os meninos, acabam se refugiando em álcool e outras drogas, embora também se automutilem, porém em um índice menor.


Blog – Qual a dinâmica emocional, por exemplo, de um jovem que se automutila? O que ele busca?


Patrícia Dantas – Eles dizem, nas sessões, que se cortam porque a dor física, naquele momento, diminui a dor emocional. Mas isso é bastante perigoso porque há o risco da perda de controle e levar a um risco maior e o problema n


Blog – Então vira uma porta para o suicídio?


Patrícia Dantas – Infelizmente, pode sim. Por esse motivo, é preciso cuidar, procurar um profissional que auxilie não só a criança ou o adolescente como a família, os pais, os responsáveis. Muitos dos pais dizem que a automutilação é um ato para chamar a atenção. Porém, se a criança ou adolescente tem um motivo para chamar a atenção dos responsáveis é necessário ter cuidado para que a carência emocional não se transforme em um problema maior. Quando eles pedem ajuda, devem ser escutadas e levado em consideração o que ela está sentindo.


Blog – Por fim, e sem querer esgotar o assunto, qual orientação você daria para os pais e responsáveis lidarem com crianças e adolescentes.


Patrícia Dantas – Os pais precisam se aproximar mais dos seus filhos, sem julgamentos, com acolhimento e escutá-los. Quando apresentam problemas, precisa logo procurar um profissional que os auxilie no entendimento do que de fato está acontecendo.

 
 
 

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