Brasil cria plano para preparar SUS para impactos das mudanças climáticas
Estratégia prevê ações para enfrentar efeitos de secas, ondas de calor, queimadas, chuvas intensas e outros eventos que podem aumentar a ocorrência de doenças e a procura pelos serviços de saúde
Arapiraca, 29 de agosto de 2026
O Brasil criou um plano para preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) para os impactos das mudanças climáticas e do El Niño previsto para 2026 e 2027. O Plano Setorial de Saúde – AdaptaSUS reúne medidas de prevenção, monitoramento e resposta a situações que podem afetar diretamente a saúde da população e aumentar a demanda por atendimento.

O documento foi apresentado pelo Ministério da Saúde durante a 7ª Assembleia do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), em Brasília. A estratégia considera que eventos como ondas de calor, secas, queimadas, chuvas intensas e inundações podem provocar aumento de doenças e mortes, além de comprometer o funcionamento dos próprios serviços de saúde.
“O principal risco para a saúde e para os serviços de saúde relacionados à mudança do clima é o potencial de aumento da ocorrência de doenças, de óbitos e de ampliação da demanda pelos serviços de saúde”, destaca o documento.
O plano também chama atenção para o impacto desigual das mudanças climáticas. Populações em situação de vulnerabilidade socioambiental e com menor acesso aos serviços de saúde tendem a ser mais afetadas, o que exige ações que considerem as características de cada território.
O AdaptaSUS estabelece estratégias para reduzir os efeitos das mudanças do clima sobre a população e orientar a atuação de estados e municípios. A preparação inclui salas de situação para acompanhamento de emergências climáticas e da relação entre saúde e clima, disponibilização de recursos e kits emergenciais de assistência farmacêutica e atuação da Força Nacional do SUS (FN-SUS), com bases regionais capazes de deslocar equipes em até 48 horas. Também está prevista a organização dos serviços e de protocolos técnicos de acordo com as características de cada bioma.
No médio prazo, o plano estabelece 27 metas e 93 ações até 2035. Entre as iniciativas relacionadas à segurança hídrica em regiões sujeitas à seca e à estiagem, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) contratou 18,8 mil cisternas em 397 municípios de sete estados, com investimento de R$ 226,6 milhões.
A estratégia também prevê o uso de ferramentas para acompanhar os efeitos das condições climáticas sobre a saúde, entre elas o Painel Nacional de Excesso de Calor, a Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Poluentes Atmosféricos (VigiAR) e o GeoRisk, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O AdaptaSUS conta ainda com os Centros de Informação em Saúde e Clima (Cisc), projeto-piloto desenvolvido em oito cidades das cinco regiões do país.
Sistemas do Ministério da Saúde utilizados para detectar, registrar e acompanhar surtos e outros problemas de saúde pública, como e-SUS Notifica, Sivep-Gripe e Sinan, também deverão atuar de forma integrada.
Entre os problemas associados às mudanças climáticas estão doenças relacionadas ao calor e ao frio extremos, doenças respiratórias, agravos provocados pela poluição atmosférica, enfermidades transmitidas por vetores e zoonoses, além de problemas relacionados à falta de acesso adequado à água, saneamento e higiene. Eventos climáticos extremos também podem provocar lesões, mortes e impactos sobre a saúde mental, além de aumentar a procura por atendimento e comprometer o funcionamento de unidades de saúde.
O planejamento considera ainda os possíveis efeitos do El Niño entre 2026 e 2027. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e provoca alterações nos regimes de chuva e temperatura em diferentes regiões.
No Brasil, os impactos variam de acordo com a região. Para o Nordeste, o cenário inclui agravamento da seca e temperaturas mais elevadas. Norte e Centro-Oeste podem enfrentar seca, estiagem e queimadas, enquanto o Sul tem maior risco de chuvas intensas e inundações. No Sudeste, são esperadas maior irregularidade climática, ondas de calor e temporais.
O AdaptaSUS integra o Plano Clima Adaptação, do governo federal, elaborado com a participação de 25 ministérios e contribuições da sociedade civil, do setor empresarial e da comunidade científica. A iniciativa reúne ainda planos voltados a áreas como segurança alimentar, energia, transportes e cidades.
Fonte: Agência Brasil




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