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No Dia do Médico, IA ganha espaço no combate à exaustão e ajuda profissionais a recuperar tempo

há 11 minutos
3 min de leitura

Pesquisas apontam que 58% dos médicos brasileiros já viveram esgotamento ligado ao trabalho; executivo de IA Marcos Betiati defende o uso estruturado da IA para devolver tempo e qualidade de vida aos profissionais de saúde


Arapiraca, 16 de outubro de 2026

Neste 18 de outubro, Dia do Médico, as estatísticas sobre a rotina da classe acendem um alerta para além dos consultórios. Um levantamento internacional realizado pela plataforma Doximity com 7.590 médicos revelou que 63% não gostariam que os filhos seguissem a mesma carreira.

 Marcos Betiati, mentor de Governança e Inteligência Artificial para médicos
 Marcos Betiati, mentor de Governança e Inteligência Artificial para médicos

No Brasil, o cenário reflete a pressão: dados do Research & Innovation Center da Afya indicam que 58,2% dos médicos já enfrentaram algum grau de esgotamento ligado ao trabalho e 45% relatam algum quadro de doença mental.


E o desencanto convive com um paradoxo. O Brasil nunca formou tantos médicos e o mercado caminha para fechar o ano com cerca de 635 mil profissionais em atividade, segundo a Demografia Médica.


Para o Mentor de Governança e Inteligência Artificial para médicos, Marcos Betiati, a raiz do problema está em uma tarefa invisível ao paciente: o tempo gasto pelos médicos com burocracia. Um estudo americano publicado nos Annals of Internal Medicine mostrou que, para cada hora dedicada ao atendimento direto, o médico gasta quase duas horas preenchendo prontuários eletrônicos e cumprindo rotinas administrativas.


A partir dessa constatação, Betiati vem atuando junto à classe médica em palestras e mentorias para médicos, onde demonstra como implementar a IA de maneira produtiva nas rotinas de atendimento de forma estruturada.

"O médico brasileiro não está exausto somente por atender um alto número de pessoas, mas por ter que atuar como administrador, gestor e digitador de sistema. Quando usamos a Inteligência Artificial de forma estruturada e personalizada, reduzimos o trabalho que não é medicina. Mas devolver ao profissional o tempo de olhar no olho do paciente e esse sim, ter vida além do consultório", afirma Marcos Betiati, que desenvolveu uma mentoria de IA e Governança própria para médicos.


E o potencial da IA na redução do estresse tem respaldo em evidências científicas. Um estudo liderado pela Universidade Yale e publicado na revista JAMA Network Open acompanhou 263 médicos e outros profissionais em seis redes de saúde dos Estados Unidos.


Durante 30 dias, todos usaram a mesma ferramenta de IA e a taxa de burnout caiu de 51,9% para 38,8%. Os participantes relataram menos esforço mental para escrever as anotações, menos documentação feita fora do horário de trabalho e mais atenção ao paciente durante a consulta. Na rede americana Kaiser Permanente, a automação de prontuários já economizou quase 16 mil horas de documentação em um ano.


Os estudos também trazem um alerta. Um dos maiores levantamentos já feitos, publicado no JAMA em 2026 com dados de mais de 8,5 mil profissionais, mostrou que o tempo economizado é modesto e tende a ser absorvido por outras tarefas. Para Betiati, é por isso que a tecnologia exige governança, especialmente com a entrada em vigor, em agosto, da Resolução nº 2.454/2026 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que estabelece que a decisão clínica é sempre humana e garante ao paciente o direito de recusar o uso de IA no seu cuidado.


Recentemente, Betiati fez uma palestra sobre o uso de ferramentas de IA na medicina no 1º Simpósio de Urologia Oncológica Alagoas e Sergipe, realizado em Maceió. No evento, o especialista destacou como o uso estruturado da inteligência artificial pode filtrar o grande volume de artigos científicos, otimizar a rotina de atendimento e devolver tempo de qualidade aos profissionais de saúde.


"Não se trata de usar ferramentas genéricas de forma desordenada. Cada médico tem uma rotina e precisa de um método que respeite a sua forma de atuar, a LGPD e a resolução do CFM. A IA entra como apoio e acelerador de tarefas, entregando a documentação pronta para revisão e preservando a autonomia do médico. Governança é decidir antes para onde vai e sobre tempo que ela irá devolver. Médicos que utilizam IA de maneira governada vão voltar a querer terem filhos médicos, pois a medicina vai voltar a caber na vida desse profissional", conclui o especialista.

 
 
 

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