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Pesquisador de Arapiraca desenvolve equação que pode contribuir para estudos sobre o tratamento do câncer

há 10 minutos
3 min de leitura

Natural de Arapiraca e criado em Girau do Ponciano, Matheus Farias desenvolveu modelo matemático para prever o crescimento de nanopartículas de ouro; pesquisa contou com colaboração internacional


O físico alagoano Matheus dos Santos Farias, de 26 anos, natural de Arapiraca e criado em Girau do Ponciano, desenvolveu uma equação matemática que pode contribuir para futuras pesquisas sobre o tratamento do câncer. O trabalho foi realizado durante estudos vinculados ao Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/USP) e contou com colaboração internacional.

Físico alagoano Matheus dos Santos Farias
Físico alagoano Matheus dos Santos Farias

A pesquisa deu origem ao Modelo Padrão Farias (MPF), uma formulação matemática que permite prever a evolução do tamanho de nanopartículas de ouro. Essas estruturas, extremamente pequenas, são estudadas por suas possíveis aplicações na medicina, inclusive em pesquisas relacionadas ao câncer de próstata.

O modelo utiliza uma equação diferencial para calcular como as partículas crescem ao longo do tempo. Com isso, os pesquisadores podem analisar diferentes condições de formação das nanopartículas antes de avançar para determinadas etapas experimentais. Uma das possibilidades futuras é a utilização desse conhecimento em estudos sobre nanobraquiterapia, abordagem experimental que investiga o uso de materiais radioativos em escala nanométrica no tratamento de tumores. A pesquisa, no entanto, ainda depende de novas avaliações e não representa um tratamento disponível aos pacientes.

Apesar de trabalhar atualmente com cálculos complexos, Matheus conta que teve dificuldades com Matemática durante a infância. O pesquisador, que estudou em escolas públicas de Alagoas, chegou a enfrentar problemas com as operações básicas. “Lembro como hoje que, na infância, eu tinha muita dificuldade com Matemática. Cheguei a ter dificuldade até mesmo com as quatro operações”, recorda.

Foi a madrinha Ângela quem o ajudou a compreender melhor a disciplina. Com o tempo, o interesse pelos estudos cresceu e ele decidiu seguir carreira na área de Física. “Matemática é para quem se dedica. Assim como qualquer outra área, ela exige estudo, persistência e disposição para aprender”, afirma.

Ainda jovem, Matheus deixou Alagoas para cursar Física no Sudeste. Posteriormente, especializou-se em Física Médica no Hospital Israelita Albert Einstein. O pesquisador também faz questão de reconhecer a contribuição das professoras Rita, do Ensino Fundamental I; Amanda, de Matemática no Ensino Fundamental II; e Márcia, de Ciências.

“Sou muito grato às professoras que fizeram parte da minha formação e que foram grandes inspirações para mim. Muitas vezes, a gente só percebe depois o quanto um professor pode mudar o caminho de uma pessoa”, destaca.

Ao falar sobre sua trajetória, Matheus também cita a influência da literatura, especialmente da escritora Clarice Lispector, e a importância de não ter medo de aprender algo novo. “Eu mergulhei de cabeça no desconhecido. E acredito que esse mergulho é para todos. Não é preciso nascer sabendo para fazer ciência; é preciso ter coragem para aprender.”

O desenvolvimento do Modelo Padrão Farias levou aproximadamente um ano e reuniu conhecimentos de Física, Matemática, Química, Computação e Nanotecnologia. Matheus recebeu uma bolsa da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que possibilitou o desenvolvimento da pesquisa. O trabalho também contou com a colaboração de Emmanuel Agunloye, da University College London (UCL), no Reino Unido, que participou da revisão e discussão da formulação matemática.

O pesquisador também possui um registro de propriedade intelectual junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), relacionado a um processo de controle preditivo da síntese de nanopartículas metálicas. Antes desse estudo, Matheus já havia desenvolvido pesquisas envolvendo simulações computacionais do fluxo sanguíneo em uma aorta abdominal com aneurisma, utilizando conhecimentos da Física e da Matemática em questões relacionadas à saúde.

Embora o Modelo Padrão Farias ainda esteja no campo da pesquisa científica, o trabalho pode contribuir para o planejamento de novos experimentos com nanopartículas de ouro, incluindo investigações sobre possíveis aplicações médicas.

Para Matheus, o apoio recebido durante sua formação foi fundamental para chegar até aqui. “Sou profundamente grato a todos que fizeram parte dessa trajetória: meus professores, minha família, meus colaboradores e às instituições que acreditaram na pesquisa. A ciência abriu portas que, quando eu era criança, eu sequer imaginava que poderiam existir”, afirma.

 
 
 

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